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Segundo Charles S. Peirce (1839-1914) são três os modos distintos de raciocínio com que nos deparamos no conhecimento científico: a dedução, a indução e aquilo a que Peirce chama a «abdução».
A dedução é um raciocínio que, se partir de premissas verdadeiras, não pode conduzir a conclusões falsas. Ela é sempre analítica e representa um modo de exposição.
A indução, é uma argumentação que, partindo do conhecimento de que determinados membros de uma classe,
escolhidos ao acaso, possuem determinadas propriedades, extrai a conclusão de que todos os membros da mesma classe as possuem também. Por isso a indução move-se numa linha de factos homogéneos; a bem dizer, ela classifica, não explica.
O mesmo não acontece com o terceiro tipo de raciocínio que dá o salto dos factos homogéneos para as suas causas. Este raciocínio, que Peirce designa por «abdução», procede segundo o seguinte esquema:
a) Dá-se a observação de X, que é um facto surpreendente.
b) Ora, se Y fosse verdade, X seria natural.
c) Logo, há motivo para suspeitar que Y é verdadeiro.
Este tipo de raciocínio indica-nos que, com a finalidade de encontrar uma explicação acerca de um facto problemático, devemos inventar uma hipótese ou conjectura a partir da qual se podem deduzir consequências. É pois um raciocínio para a melhor hipótese, para a melhor explicação, para a aquilo que melhor podemos imaginar. Por seu turno, tais consequências devem ser examinadas indutivamente, ou seja, de modo experimental. Deste
modo, a abdução está intimamente ligada quer à dedução, quer à indução. Por outro lado, a abdução mostra que as crenças científicas são sempre falíveis, já que as comprovações experimentais podem sempre desmentir as consequências das nossas
conjecturas. É neste sentido que Peirce assinala a dimensão provisória do conhecimento científico e afirma que, «para uma mente científica, a hipótese encontra-se sempre em comprovação.»
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© Rui GrÁcio 2011
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