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 ARGUMENTO AD HOMINEM
A argumentação ad hominem é uma forma de argumentação ligada à estrutura da interacção, dizendo respeito ao modo de lidar com o discurso do outro.

Com efeito, uma das formas de contra-argumentar pode consistir em mostrar que, tomando o discurso do interlocutor nos seus próprios termos, as suas assunções acabam por se manifestar como incompatíveis, contraditórias ou incoerentes. Assim, pode-se contra-argumentar retomando o discurso do outro («se disseste isto e aquilo, como é que podes agora afirmar uma coisa que parece não se encaixar com as declarações prévias?).

Por conseguinte, argumentar ad hominem é colocar-se no terreno do adversário sem contudo subscrever a sua argumentação e, para retomar um termo grato a Popper, submetê-la a um processo de eventual «falsificação».

É corrente confundir-se a argumentação ad hominem com a argumentação ad personam, na qual o que está em causa não é a forma de argumentar do interlocutor, mas a desvalorização dos seus argumentos pela descredibilização da sua pessoa. Ou seja, a argumentação ad personam centra-se essencialmente no ethos, ou na credibilidade do interlocutor.

Na definição de Locke, o argumento ad hominem consiste em «pressionar um homem pelas consequências que decorrem dos seus próprios princípios, ou daquilo que ele próprio admite».


 
© Rui GrÁcio 2011
Rui Alexandre Grácio