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VocAbulário
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É importante distinguir entre argumentatividade e argumentação. O que diferencia uma e outra?
A argumentatividade é inerente aos discursos e pode ser focalizada a três níveis principais:
1. Como uma força projectiva inerente ao uso da língua (e neste caso estamos a focalizar quer a utilização das palavras na sua relação com os topoi, quer os enunciados e o seu encadeamento através de conectores), sendo que aqui a tónica é posta nos mecanismos de orientação enunciativa.
2. Como uma força configurativa inerente ao discurso (e neste sentido focaliza-se a acção sobre outrem através das tematizações, vidências, ideias ou imagens esquematizadas no modo de produzir o discurso,
configuradoras de posicionamentos e produtoras de influência sobre aqueles a quem são dirigidas), sendo que aqui a tónica é posta nos mecanismos de influência discursiva que preparam a recepção do discurso em termos de interpretação.
3. Como uma força conclusiva ou ilativa que corresponde a processos de raciocínio postos em acção no discurso (tipos e esquemas de raciocínio), sendo que aqui a tónica é posta nos mecanismos de inferência.
A argumentação, tal como aqui a consideramos não é, contudo, algo que se reduza à argumentatividade, ou força argumentativa, nem à apresentação de argumentos vistos do ponto de vista dos mecanismos de orientação, de influência ou de inferência, mas sim como uma interacção que tem na sua base uma situação argumentativa caracterizada pelos seguintes aspectos:
a) A existência de uma oposição entre discursos (ou seja, em que é requerida a presença de um discurso e de um contra-discurso numa situação de interacção entre, pelo menos, dois argumentadores).
b) A alternância de turnos de palavra polarizados num assunto em questão e tendo em conta as intervenções dos participantes.
c) Uma possível progressão para além do díptico argumentativo inicial e em que é visível a interdependência discursiva, ou seja, em que de algum modo o discurso de cada um é retomado e incorporado no discurso do outro. Neste sentido a fala de cada um não é dissociável da fala do outro e da circunscrição do assunto em que essas falas são consideradas de uma forma séria, porque tidas por relevantes e de interesse.
Deste modo podemos dizer que uma interacção comunicativa se torna numa argumentação quando nessa interacção se tornam destacáveis discursos em confrontação polarizados num assunto em questão. Nas práticas conversacionais os assuntos raramente são abordados sob o modo do em questão ou chegam a ser suficientemente tematizados para que se chegue a focalizar o
assunto a tratar. O que se verifica mais frequentemente são episódios de contradição argumentativa que permitem entender as diferentes orientações e posicionamentos de cada um sem contudo aprofundar essas divergências.
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© Rui GrÁcio 2011
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