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A noção de campo argumentativo foi introduzida por Toulmin e remete para a visão especializada dos saberes, para as fronteiras entre as diferentes disciplinas e para a especificidade da
linguagem e das metodologias de cada domínio. Trata-se de um conceito que liga a argumentação à retórica própria das disciplinas científicas (ou dos jogos de linguagem típicos de certos temas), que se assumem como autoridades no próprio domínio. A noção de campo argumentativo remete para a ideia de que as avaliações das argumentações dependem muito dos critérios dos fóruns em que decorrem, os quais, aliás, determinam em grande medida a aceitabilidade dos argumentos.
Perelman utilizou também a expressão «campo da argumentação» não para se referir a campos de conhecimento, mas para distinguir duas formas de
pensar: à primeira, caracterizada pelo ideal de demonstrabilidade (demonstração) opôs a ideia de razoabilidade (argumentação), essencialmente ligada ao raciocínio prático, à deliberação e à acção através do discurso. Destacou, por contraposição à ideia de raciocínio lógico e de matemático, que no plano da argumentação o pensamento procede essencialmente através de dois mecanismos fundamentais: a associação e a dissociação de noções.
Uma outra noção de campo argumentativo pode ser também considerada, tendo em consideração a utilização do raciocínio axiológico, ou seja, de um discurso que estabelece preferências que configuram pontos de vista e posições específicas sobre um assunto em questão. Podemos assinalar, por exemplo, o raciocínio causal (ou seja, que relaciona causa e efeito) como forma de explicação. Mas a apropriação dessa explicação em função do estabelecimento de uma determinada posição conduz-nos ao registo argumentativo. Como nota Plantin (1996: 46), neste caso «o argumentador está na causa que constrói». O recurso a explicações que funcionam como argumentos com vista a estabelecerem o ponto de vista
específico da perspectiva do argumentador acerca de um assunto em questão significa, assim, que nos deslocámos para um campo argumentativo, podendo ser este considerado, precisamente,
como o domínio dos
assuntos em questão onde se regista um conflito de perspectivas.
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© Rui GrÁcio 2011
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