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 ERÍSTICA
O adjectivo «erístico» está ligado ao gosto pela controvérsia, pela disputa, pela discussão. Mas costumam designar-se por «erísticas» as interacções emolduradas num quadro adversarial do qual resultará um vencedor e um vencido.

A lógica da disputa erística é assim a do ganhar/perder e não a da coalescência (ganhar/ganhar). A evidência da supremacia de um dos participantes sobre o outro acerca de uma determinada discórdia, e não a preocupação com a produção de consensos, é assim uma das características que molda a confrontação erística.

Assim perspectivadas as interacções erísticas são frequentemente reprovadas como algo em que «vale tudo» para atingir o objectivo final e as técnicas da obtenção da vitória pela vitória, com vista à glória de si, foram severamente condenadas por Platão e levaram à estigmatização dos sofistas (que, conscientes da antifonia, ou seja, da possibilidade de inversão de qualquer argumentação através de uma outra argumentação, eram praticantes do método antilógico com que preparavam os alunos para defenderem uma tese e a sua contrária) como manipuladores, enganadores, sem ética e insensíveis à questão da verdade.

Esta ideia das práticas argumentativas como erísticas é retomada contemporaneamente na ideia de que «a argumentação é a guerra» (Lakoff e Johnson, 1980) e enfatiza a competição em detrimento da cooperação.


 
© Rui GrÁcio 2011
Rui Alexandre Grácio