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Escreve van Eemeren (2009: 60): «em primeiro lugar, há ‘o estádio da confrontação’, no qual a diferença de opinião é externalizada a partir do potencial espaço de desacordo. Depois há o ‘estádio da abertura’ no qual o protagonista e o antagonista de uma posição em questão numa diferença de opinião determinam a sua zona de acordo no que diz respeito a procedimentos comuns e
aos pontos de partida materiais (ou ‘concessões’). No estádio da ‘argumentação’ ambas as partes tentam estabelecer, dado o ponto de partida reconhecido por
elas, se o ponto de vista do protagonista é sustentável à luz das respostas críticas do antagonista. Finalmente, no ‘estádio da conclusão’, é estabelecido o resultado da discussão crítica».
Trata-se de uma classificação que parte da ideia de que a argumentação pode ser descrita através de fases diferenciadas que se registam no seu processo e que balizam as argumentações entre um início e um fim. Tem a virtude heurística de apontar que na origem de uma argumentação está uma dissensão e que as argumentações implicam que a interacção se polarize num assunto em questão e numa relação de interdependência discursiva entre os participantes, sendo susceptível de progressão. A divisão proposta por van Eemeren depara-se contudo com a dificuldade da adequação descritiva, uma vez que pode haver — e isso será mesmo o mais frequente — boas argumentações sem conclusão.
Uma proposta mais simplificada, mas mais adequada descritivamente é apresentada por Pamela Benoit (1992: 179) quando associa a ocorrência da argumentação a um script específico: «o guião de uma argumentação deixa de correr quando as pré-condições deixam de ser satisfeitas. Uma pré-condição implícita da argumentação na interacção é a de requerer pelo menos duas partes. Quando uma das partes abandona
abruptamente a interacção, a argumentação finaliza, pelo menos até as partes se voltarem a encontrar. As argumentações requerem oposição explícita e esta pré-condição é violada quando o parceiro desiste, se chega a algum acordo ou o tópico se altera para algum assunto relativamente ao qual não há desacordo. O guião da argumentação requer também o acordo conjunto de que vale a pena continuar o guião e, por isso mesmo, considerar a argumentação como escusada é suficiente para o guião deixar de correr».
A ideia de que a argumentação pode ser analisada tendo em conta as suas fases ou um guião específico permite também introduzir a ideia de que ela é composta por lances e movimentos efectuados pelos seus participantes. A escola
holandesa, por exemplo, retomando as ideias de Austin e Searle, estuda os
diferentes movimentos efectuados no decurso de uma argumentação como «actos de fala» e considera mesmo a argumentação como um «
acto de fala complexo».
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© Rui GrÁcio 2011
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