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 TOPOI
Num sentido genérico pode dizer-se que os topoi (singular topos) são «nódulos de associação activa para ideias» (Ong) ou seja, representam categorias e relações que podem funcionar como modelos heurísticos a partir dos quais podemos descobrir modos de abordar e falar sobre os assuntos. Nesse sentido os topoi funcionam como pivots na produção do discurso e a um conjunto mais ou menos sistematizados de topoi dá-se o nome de «tópica».

Segundo Balkin (citado por Grize, 1996: 212-213), a ideia de topos ou lugar comum é uma metáfora espacial que remete para cinco sentidos entrelaçados entre si: «em primeiro, os tópicos são lugares a partir dos quais podemos argumentar. Em segundo, os tópicos são ‘lugares-comuns’, ou seja, conceitos, assuntos ou máximas que são largamente partilhados na cultura ou estão associados à sabedoria que foi destilada para o senso comum. Em terceiro, os tópicos são como arrumos ou caixas nas quais situações ou acontecimentos podem ser colocados, categorizados e organizados no seu próprio lugar. Em quarto, Aristóteles sugere que os tópicos correspondem a lugares na mente de onde diferentes argumentos podem ser retirados. Finalmente, tal como as coisas aparecem diferentemente de diferentes lugares, pode pensar-se nos tópicos como uma perspectiva ou um modo de olhar as coisas».

Os topoi tem três propriedades principais: caracterizam-se por ser, simultaneamente analíticos (fornecem uma perspectiva mental a partir da qual podemos analisar os assuntos), vazios de conteúdo (no sentido de se aplicarem a uma diversidade de casos específicos) e comuns (pois são partilhados socialmente) (cf. Hauser, 2002: 111-112).

Já para Rolland Bartes & Jean Louis Bouttes, 1978: 274) podem reconhecer-se nos lugares comuns quatro traços constituintes: «a repetição (critério propriamente linguístico), a historicidade (o lugar-comum nasce, triunfa, passa, é substituído por outro) a sociabilidade (a consciência do lugar-comum em geral e de determinado lugar-comum particular depende do meio social) e o  valor (percebido, o lugar comum é objecto de apreciação frequentemente depreciativa)».

Uma das formas das formas de assinalar depreciativamente o lugar-comum é o de o considerar como um mero estereótipo ou como um cliché, ou seja, um pronto a pensar do espírito e uma forma de pensar por defeito.







 
© Rui GrÁcio 2011
Rui Alexandre Grácio