ERÍSTICA
O adjetivo «erístico» está ligado ao gosto pela controvérsia, pela disputa,
pela discussão. Mas costumam designar-se por «erísticas» as interações
emolduradas num
quadro adversarial do qual resultará um vencedor e
um vencido.

A lógica da disputa erística é assim a do ganhar/perder e não a da
coalescência (ganhar/ganhar). A evidência da supremacia de um dos
participantes sobre o outro acerca de uma determinada discórdia e não a
preocupação com a produção de consensos é, assim, uma das
características que molda a confrontação erística.

Assim perspetivadas, as interações erísticas são frequentemente
reprovadas como algo em que «vale tudo» para atingir o objetivo final e
as técnicas da obtenção da
vitória pela vitória, com vista à glória de si,
foram severamente condenadas por Platão e levaram à estigmatização dos
sofistas (que, conscientes da antifonia, ou seja, da possibilidade de
inversão de qualquer argumentação através de uma outra argumentação,
eram praticantes do método antilógico com que preparavam os alunos
para defenderem uma tese e a sua contrária) como manipuladores,
enganadores, sem ética e insensíveis à questão da verdade.

Esta ideia das práticas argumentativas como erísticas é retomada
contemporaneamente na ideia de que «a argumentação é a guerra»
(Lakoff e Johnson, 1980) e enfatiza a
competição em detrimento da
cooperação.

Rui Alexandre Grácio
 
VocAbulário
 
© Rui GrÁcio 2015