ETHOS
Nota Goffman (1993: 11): «Quando um indivíduo surge na presença de
outros, estes habitualmente procuram obter informações sobre ele, ou
recorrer a informação que já possuam a seu respeito. Interessar-se-ão
pelo seu estatuto socioeconómico global, pelo que o indivíduo pensa de si
próprio, pela sua atitude para com eles, pela sua competência, pelo grau
de confiança que merece, etc. (…) Se dispuserem das informações
adequadas, os outros saberão melhor como devem atuar a fim de
obterem do indivíduo a resposta pretendida». Em termos argumentativos
o
ethos diz respeito ao carácter do argumentador e à credibilidade que
deste pode, ou não, emanar.

Em termos retóricos podemos dizer que todo o discurso faz transparecer
uma imagem de si que não é dissociável da força do seu impacto. É
possível distinguir entre um
ethos pré-discursivo e um ethos
discursivo (Amossy, 2006: 79-81).

O primeiro está relacionado como estatuto institucional daquele que
fala e com as funções e posições que ocupa num determinado campo e
que legitimam certas expectativas — ou seja, que levam a que os outros,
ou o auditório, o imaginem dotado de um certo perfil — acerca do seu
discurso. É aquilo a que vulgarmente chamamos «
reputação».

O segundo é a imagem que se pode extrair tendo como base o ato e os
conteúdos de uma comunicação concreta, pois a produção de um
discurso indicia sempre — de modos muito diversificados que podem ir
dos níveis de informação que quem fala denota às componentes cénicas
uma imagem de quem fala.

Segundo Hauser (2002: 158-159), o ethos discursivo é interpretável, do
ponto de vista do auditório, de acordo com três grandes parâmetros: em
primeiro lugar deriva, por um processo inferencial, das exortações e dos
argumentos apresentados sobre o assunto. Em segundo lugar, emerge da
disponibilidade para responder, indo ao encontro das necessidades do
auditório. Finalmente, o
ethos, mais do que ser formado por
características vistas como qualidades de quem fala, deriva da
seriedade 
do desempenho discursivo.

Rui Alexandre Grácio
 
VocAbulário
 
© Rui GrÁcio 2015