SOFISTAS
O movimento sofístico surge na Grécia no século V. a.C. e deve ser
compreendido como um movimento que responde às necessidades de
ampliar e renovar as estruturas sócio-político-culturais da época,
proporcionando aos jovens uma nova educação capaz de os tornar
competentes nas práticas públicas. Não é assim de estranhar que os
sofistas tragam uma nova educação, centrada principalmente no domínio
da linguagem e do discurso. São professores no sentido político e o seu
ensino dirige-se aos jovens que querem aceder a posições políticas
importantes, ligando-se, por isso, à arte de viver e de governar. São
técnicos de retórica, de oratória e de eloquência. Praticam o método
antilógico ou a antilogia. Este método antilógico ou antilogia consiste no
seguinte exercício: dar ao aluno a tarefa de defender uma tese, ou uma
causa, fazendo-o desenvolver toda uma argumentação a seu favor.
Depois, pedir ao mesmo aluno que, relativamente a essa mesma tese ou
causa, desenvolvesse uma argumentação inversa, isto é, de ataque, que a
deitasse por terra. Com este método, os sofistas procuravam fomentar o
espírito crítico e a capacidade de argumentar. O ensino sofístico
encontrava-se essencialmente ligado à argumentação e à retórica ou, mais
precisamente, à capacidade de usar a palavra e de fazer discursos
persuasivos e convincentes, discursos que permitissem que quem os
fizesse atingisse os objetivos perseguidos. Contudo, a par dos partidários e
entusiastas deste tipo de ensino, cedo surgiram, por parte dos filósofos,
fortes críticas e acusações à pedagogia com que eles procuravam formar a
juventude. Esta crítica acabou por dar dos sofistas a imagem de ‘filósofos
malditos’ e de os lançar no descrédito. No entanto há que assinalar a
importância dos sofistas dizendo que o grande legado que eles nos
deixaram se pode resumir na valorização da palavra, do discurso e do
diálogo como forma de regulação da vida dos homens e como arma e
instrumento fundamental nos jogos de poder com que a todo momento a
vida em sociedade nos confronta, a crença na capacidade dos homens
substituírem, nas suas relações, o regime de força e de violência por um
regime da persuasão, a ideia de que o estabelecimento de uma
comunidade entre pessoas humanas se funda não na imposição
dogmática, mas na capacidade das pessoas falarem, debaterem e
ouvirem-se umas às outras, numa palavra, a convicção de que a resolução
dos problemas humanos só encontram uma solução humana se mediados
pela linguagem e pelos seus poderes dialógicos — eis o grande legado que
os sofistas nos deixaram. Plantin (1996: 1 e ss) assinala que, em termos
de argumentação, os grandes contributos dos sofistas foram o uso da
antifonia e do paradoxo e a valorização das noções de provável e de
dialética.

Rui Alexandre Grácio
 
VocAbulário
 
© Rui GrÁcio 2015