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Livro
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Rui Grácio
Olá, eu sou um livro!
Olá eu sou um livro, Pé de Página Editores, 2003 e 2008 32 pp.
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personificação que nesta história se faz do livro da capa de cartão, permite, por um lado, sentir o livro enquanto entidade viva, e, por outro,
passar da ideia do livro como objecto, entre tantos outros objectos de
manuseamento (um utensílio), a um objecto de consideração, na medida em que carrega o dizer de pessoas e se insere num processo criativo
de comunicação humana, com a partilha que isso implica.
De facto, o livro propõe que partilhemos o mundo que ele nos abre.
Assim, a focagem que aqui se faz do livro é o de uma entidade que nos faz imaginar, nos faz viajar, nos leva a pensar, nos
abre portas a novos mundos — ainda que para isso seja preciso que nós consigamos transpor essas portas que ele nos abre, numa entrega que requer
competências, sensibilidade e disponibilidade, mas que tem também no seu reverso a construção de laços de amizade e de companheirismo, a aquisição de referências, que, porventura, permitirão mais tarde dizer: «— Nunca me esqueci daquele livro em que...».
Por outro lado, a vida de um livro, se bem que ganhe autonomia relativamente aos
seus autores, deixado que é às infinitas possibilidades de interpretação, não deixa de ter os autores por detrás dele, como marca singular de humanidade, como legado de criatividade, como
obra humana. Representa que alguém se dedicou a fazê-lo e que devemos apreciar o alcance de uma tal dedicação. É a questão de apreço pelo humano.
A preocupação deste livro é menos a de contar uma história que as crianças gastassem de ouvir, do que a de transmitir aos mais pequenos a ideia de que
os livros devem ser bem tratados, que merecem a nossa consideração, e de deixar no ar a suspeita de que nossa relação com os livros pode constituir uma promissora e apetecida aventura. Pelo menos,
foi isso que a Emíla sentiu.
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