Cursos temáticos (acesso gratuito)

PercarPonto

Ensinar a argumentar ou convidar ao confronto com a incerteza seguido de seis questões sobre o ensino da argumentação

A argumentação opera algures entre o arbitrário e o necessário. Caracteriza-se por ser uma luta contra o arbitrário que, contudo, não se realiza em esquematizações que visam o necessário (isto, partindo, é claro, da aceitação da diversidade dos valores e da sua repercussão em termos práticos).
Enquanto atividade que opera num espaço tensional, num «entre», ela parece ser animada por uma condição intermédia, semelhante à condição de Eros, tal como descrito por Diotima no diálogo platónico O Banquete: um ser que habita entre o mortal e o imortal, entre a penúria e a plenitude, entre a ignorância e a sabedoria.
Esta condição tensional, bem como a aspiração dos argumentadores a terem razão, permite dimensionar a racionalidade através da metáfora do jogo e, mais precisamente, da ideia de «jogos de racionalidade».
Com efeito, esta conceptualização permite valorar a contingência como componente inultrapassável da vida prática e dimensionar a incerteza como uma das limitações inerentes à finitude humana. Neste sentido, o ensaio que se segue, para além de convocar a teorização da argumentação, desenvolve também um argumento sobre a relação da argumentação com a condição humana.
É na compreensão da dimensão incerta, arriscada e dilemática da condição humana — e, ainda assim, resiliente à arbitrariedade — que a teorização da argumentação é que o ensino da argumentação devem encontrar os seus enquadramentos primeiros, assumindo-se — essa é o argumento que procurarei explanar e defender — como um convite ao confronto com a incerteza.

Poder de argumentação: saber sustentar posições

Centrais em diversos domínios profissionais, as competências argumentativas são reclamadas cada vez mais a todos os indivíduos. Com efeito, são hoje praticamente universais os apelos à maior participação dos indivíduos nas diversas esferas da vida coletiva. Os temas da cidadania e da promoção de capacidades críticas estão, por assim dizer, no topo da atenção dos debates políticos, culturais e académicos. Pode, por certo, dizer-se mesmo que são mesmo temas transversais a qualquer disciplina ligada às Ciências Sociais e Humanas. É, pois, sob este signo da participação ativa que retoma com grande vitalidade a exigência de competências discursivas aperfeiçoadas e aptas à reação em contexto cada vez mais competitivo que o presente curso foi desenhado. Quer se inscrevam no plano elementar da interação quotidiana entre as pessoas, quer no plano específico de determinadas profissões, estas competências discursivas não podem ser estimuladas fora de uma cultura da argumentação. As práticas argumentativas inscrevem-se no plano de um saber-fazer que se situa no modo como os indivíduos lidam com os discursos (representações sociais) e através deles interagem argumentativamente em diferentes contextos, tendo em vista lidarem com a conflitualidade, com os imaginários sociais e com a negociação da distância entre os seus interesses. Investir nestas competências significa, por outro lado, e a um nível mais específico, capacitar os indivíduos a lidar com os discursos que funcionam como retóricas, dotadas de argumentários característicos e que cumprem finalidades persuasivas, fundamentais na formação da opinião e nos mecanismos de influência sobre outrem. Entende-se, neste sentido, que um curso como de «Poder de argumentação: saber sustentar posições» se justifica acima de tudo pela necessidade de fomentar o uso da linguagem para a promoção e o exercício da cidadania, na certeza de que a atividade argumentativa é fundamental para a formação e para a participação do indivíduo enquanto sujeito cidadão, investido de direitos e deveres no estado democrático de direito.Por outras palavras, entende-se que este curso visa colmatar a lacuna identificada em vários segmentos da formação académica em matéria de competências linguísticas argumentativas tão essenciais ao cidadão comum como ao jurista ou ao professor, por exemplo.

PASSP
TeorizaraARg

Teorizar a argumentação retórica

Apresenta-se neste curso uma proposta para teorizar a argumentação que tem em conta as principais teorias contemporaneas da argumentação. Acresce ainda um conjunto de conferências que permitirão os formandos obter ensinamento essenciais sobre o tema da linguagem, retórica e argumentação.

Leitura e comentário da «Introdução» e da «Conclusão» do TRATADO DA ARGUMENTAÇÃO. A NOVA RETÓRICA

No final deste curso, é expectável que os formandos:
• Fiquem com uma ideia contextualizada da Nova Retórica.
• Fiquem com apetite para estudar não só as obras de Chaïm Perelman como se iniciarem nos estudos da análise do discurso, da argumentação e da retórica. 

LCTA2
CETD

Apresenta-se neste curso as principais vertentes implicadas na elaboração de uma tese de doutoramento, desde a formulação da questão de investigação, e a estruturação da tese até à escolha de um orientador e ao cerimonial de defesa da tese.

CONF

Conferências

1. Retórica e objetividade
2. Sa epistemologia à racionalidade retórica: a argumentação na sua condição civil
3. Recursos metodológicos ao serviço de uma interação contradiscursiva: anãlise argumentativa do texto «o meu sonho» de Alcione Araújo 
4. Reflexões sobre o ensino da argumentação
5. Um espelho da liberdade: uma imagem argumentativa do pensamento
6. Para onde vais, racionalidade argumentativa
7. Da argumentação à demonstração: os estreitamentos focais como estratégia de objetivação
8. Linguagem, discurso e condição humana 
9. Ensaio sobre as bases filosóficas e o ensino da argumentação

Travessa da Vila União, n.º16, 7 drt
3030-217 Coimbra - PORTUGAL

E-mail